Dia do Trabalhador – Os desafios do Trabalhador-Estudante

Hoje comemoramos o Dia do Trabalhador!

Os primórdios deste dia remontam a 1 de maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos da América. Neste dia, trabalhadores operários saíram às ruas em protesto às longas jornadas de trabalho, que podiam ser de 12 a 18 horas por dia. Reivindicavam-se melhores condições de trabalho e redução do horário laboral para 8 horas, dividindo assim o dia em três períodos de 8h cada. Os danos provocados por esta manifestação foram de tal ordem que ficou popularizada a expressão “Os Mártires de Chicago”.

A projeção mundial destes acontecimentos, originou durante o Congresso Internacional em Paris em 1889, à decretação do 1 de Maio como feriado mundial, homenageando os «Imprescindíveis de Chicago».

Em Portugal, durante anos as comemorações deste dia foram reprimidas pela polícia do Estado Novo. Só a partir da “Revolução de Abril” é que o 1º de Maio passou a ser comemorado sem censura e tornou-se feriado nacional. Em relação ao direito de 8h de trabalho, o mesmo só entrou em vigor, muito mais tarde, em 1996.

Nos tempos de hoje, acrescentamos outros desafios que passam pelo efeito negativo das tecnologias, já que estamos sempre online “em casa, no carro e em todo o lado”, através do nosso smartphone e torna-se difícil não responder àquele email que acabou de chegar. Este exercício de “desligar” do trabalho, requer disciplina e um hábito diário:

Se nós próprios não respeitarmos o tempo que é nosso, quem respeitará?

Os desafios de ser trabalhador-estudante

Mas hoje gostava de falar dos desafios inerentes a uma “classe” de trabalhadores muito específica: os trabalhadores-estudantes.

É sabido que sou criativa e esta minha vertente passa muito pela minha curiosidade por aprender coisas novas, seja de forma autodidata ou através de cursos, explorar ideias e/ou soluções ou debruçar-me ainda num nível mais detalhado de conhecimento sobre determinada matéria.

E foi precisamente uma paixão pelo desenvolvimento de bases de dados, que me conduziu ao Business Intelligence. Eu tinha identificado esta área como área-chave para potenciar a minha performance individual, de equipa e de negócio. Mas eu precisava de saber mais sobre o tema, ter acesso a ferramentas robustas de gestão da informação (sim, as minhas bases de dados em Ms Access, que durante anos me ajudaram a ser uma profissional mais organizada e eficiente, já não respondiam às minhas necessidades).

E assim surge um dos maiores desafios da minha vida: o Mestrado.

 

Desafio #1: Conciliar Trabalho e Estudos

Encontrar um equilíbrio entre ser um excelente profissional e um excelente estudante, trouxe-me a capacidade de eliminar completamente o que não interessa, o que é desnecessário e meramente acessório e focar-me naquilo que tem impactos nos meus resultados, tanto profissionais, artísticos e como estudante.

Mas lancei-me de uma forma muito “desportiva” em relação aos estudos. Não exigia altas notas, ia fazendo as cadeiras conforme conseguia, isto porque o meu objetivo era aprender mais sobre aquela matéria e adquirir e desenvolver novas competências, para trazer para o meu contexto profissional. E isso foi conseguido, com notas razoáveis, que para mim foram excelentes tendo em conta a “conjuntura situacional” dessa altura.

Lembro-me de sair a correr do trabalho, ainda com coisas por terminar e deadlines apertados, mas sabia que a frequência às aulas era fundamental para a interiorização dos conceitos. As aulas práticas, essas então, eram cruciais! Retomaria o trabalho depois das aulas.

Durante três dias por semana chegava por volta da meia-noite a casa e isto quando não havia trabalhos de grupo. Aqui a hora estendia-se e eu só tinha de garantir que apanhava o último comboio rumo ao “deserto paradisíaco”, que era à 01h30m da manhã. Ah! E fins-de-semana?! Esses… eram raros e quando existiam era para por os sonos em dia!

Hoje olho para trás e penso, realmente só podia ser “Paixão” (O “Amor” é a música, já sabes!). Só algo mais forte que nós é que nos faz “mover mundos e fundos”. Apesar de exigente, foi o ano mais motivador e inspirador!

 

Desafio #2: Tempo em Família (e amigos também!)

A família assume um papel fundamental nesta fase, dando o apoio necessário e muita compreensão para as ausências devidamente justificadas às “reuniões” de família.
Sensibilizá-los que “Isto é só uma fase, que vai durar até tal dia”, ajuda-os a perceber que há um início e um fim à vista. E eles próprios irão organizar-se de forma darem-nos o suporte necessário para que possamos ter mais tempo para dedicarmo-nos àquilo que, naquele preciso momento, é mais importante.

 

Desafio #3: Tempo para hobbies

Tempo para hobbies?! Ginásio?! Dança?! Isso já era muita coisa para fazer!

Eu decidi eliminar.

Ah. Não podia faltar… Dormir! É vital um sono reparador para o bom funcionamento intelectual, físico e emocional.
(nota: a música é uma fonte de energia para mim, logo pude retirar o ginásio durante este período. Não aconselho a quem não tenhas outras fontes de energia).

Estes foram alguns desafios que me lembrei e que contemplam o triângulo Trabalho – Família – Lazer/Saúde.

 

Valorização Profissional e Pessoal

Todo o profissional que resolve investir o seu tempo (e dinheiro) nos estudos, é um profissional que não só investe no seu desenvolvimento pessoal, mas também na sua progressão de carreira, seja dentro da atual empresa ou fora dela. Este profissional estará mais capacitado para satisfazer a necessidades do mercado aumentando o seu valor como profissional, ainda mais em áreas que proporcionam vantagem competitiva, face a empresas do mesmo setor de atividade.

Para além de trazerem novos conhecimentos e competências, eles são capazes de desafiar o “estado das coisas”, propor novas soluções para problemas existentes e ainda gerar novas ideias para oportunidades de negócio.

Posto isto, os trabalhadores-estudantes devem ser apoiados, valorizados e recompensados pelo duplo esforço. E quando falo de recompensa não estou a referir-me a recompensa financeira, mas àquelas “pequenas coisas” que fazem toda a diferença para proporcionar o “estado de equilíbrio” nas suas vidas, ainda mais nesta fase desafiante.

Uma empresa que vê efetivamente benefício nos seus trabalhadores-estudantes, proporciona tudo o que pode e faz tudo o que tiver ao seu alcance, para garantir este “estado de equilíbrio”. Se estiverem mais felizes e motivados, estes profissionais continuarão a entregar os resultados esperados.

O Código do Trabalho será “meramente acessório” se a «Regra do “bom senso”» ainda for a regra primordial do respeito pelo Ser Humano. E aqui entra o papel dos líderes.

O verdadeiro líder vê no seu colaborador trabalhador-estudante não uma ameaça, mas alguém que ele vai desenvolver, permitir crescer e potenciar as suas competências através da capitalização do conhecimento adquirido e, em conjunto, apresentarem novas ideias, novas soluções e “fazer acontecer” , alcançando resultados extraordinários.

Eu não tenho dúvidas nenhumas desse benefício. E tu?

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