Dia da Liberdade

Na vida,
Há aqueles que são livres
Há aqueles que se acham livres

Os primeiros vivem em função da sua verdadeira essência.
Os segundos, em função da essência de outro alguém (ou alguéns).

Estes, que pensam ser livres, (na verdade não sabem) vivem em liberdade condicional:
Tudo o que são, tudo o que dizem, tudo o que fazem é de uma forma condicionada.
E isto não é liberdade! Isto é submissão!

Ana Brissos, 19-04-2019

Hoje é dia 25 de Abril! O Dia da Liberdade!
Eu questiono muitas coisas na vida. Aliás, eu questiono o porquê de tudo… (até da minha própria existência… daí o meu sentido de missão e propósito, hoje, estarem tão bem definidos!).

Eu nasci quase 10 anos após o 25 de Abril de 1974, por isso, este tema da “Liberdade” foi sempre um dado adquirido. No entanto, cresci a ouvir as estórias dos meus pais e de como eles vivenciaram esta época e, ao que parece, de formas bem distintas.

A minha mãe, era estudante do liceu de Santiago-do-Cacém e o meu pai, já trabalhava como profissional da restauração, num dos restaurantes mais movimentados de Grândola – a Vila Morena – chamado “A Coutada”.

Talvez a questão de género possa estar num dos fatores que tenham levando a esta forma distinta de viver o dia da “Revolução dos Cravos”, conforme enquadramento histórico que fiz no artigo sobre o “Dia Internacional da Mulher“, mas também a própria condição pessoal/profissional (estudante vs. trabalhador).

 

As memórias dos meus pais deste dia…

A minha mãe lembra-se de estar no autocarro de Ermidas para Santiago-do-Cacém e na rádio apenas passava música clássica. Na chegada ao liceu, deparou-se com uma “revolução” instalada: os alunos tinham fechado o reitor numa sala e não o deixavam sair. Nem os professores escaparam! Neste dia não houve aulas. Nada se sabia, de concreto, o que se estava a passar.

Por outro lado, o meu pai diz que viveu este dia (e os dois seguintes) de uma forma intensa e fascinante!

Eram 11h30m da manhã e o meu pai estava a entrar ao serviço, quando se viu perante a vila de Grândola completamente deserta. Não se via ninguém pelas ruas. O comércio, que era habitual já estar aberto àquela hora, não dava sinais de vida e as lojas completamente encerradas. Haviam sido colocados, muito provavelmente de madrugada, altifalantes nos postes de luz. Ouvia-se o imortalizado tema de Zeca Afonso “Grândola, Vila Morena”. Outras músicas de intervenção fizeram parte da banda sonora deste dia: como “Somos Livres” (mais conhecido por “A Gaivota” de Ermelinda Duarte) e a “Marcha do Movimento das Forças Armadas (MFA)” (recorda o meu pai).

Nesse dia, o povo da “terra da fraternidade” saiu à rua e num movimento de rebeldia, foram atrás de um elemento da PIDE – Polícia Internacional e de Defesa do Estado – que ali vivia. Ato inglório este, o de derrubar a porta da sua residência. Já tinha fugido!

Os intensos dias vividos ecoavam «gritos de liberdade»: “O Povo Unido, Jamais Será Vencido!”

 

Nos dias de hoje…

À conversa com os meus pais fica claro que as experiências que viveram, bem como as consequências que esse dia trouxe para as suas vidas e a dos nossos familiares próximos, foram determinantes para a sua percepção sobre a importância/impacto deste dia nas suas vidas.

Mas uma coisa é certa… Depois daquele dia 25 de abril de 1974, Portugal nunca mais foi o mesmo!

Se hoje, eu e tu, vivemos num país com «Liberdade de Opinião, de Expressão e de Determinação», devemos este nosso direito aos que lutaram (talvez) toda uma vida! A estes Bertolt Bretch chama de «Os Imprescindíveis».

Obrigada aos «Imprescindíveis» que tornaram a Liberdade num direito de hoje em dia!

Ana

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